Está muito tarde para sonhar (Recortes)

Fala de um documentário que eu vi um pedaço e não sei o nome:

O entrevistador perguntando ao catador de lixo:

–Qual é a sua grande conquista?

A resposta:

–Nenhuma. Eu cato lixo.

No Brasil você vale o que você tem.

Eu não tenho nada.

Não conquistei nada.

Não sou nada.

 Outra pergunta:

–Qual é o seu sonho?

Catador de lixo, sem dentes:

Eu aprendi a sobreviver. Não sonho. Está muito tarde para sonhar.

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“poesia polêmica, tensa, densa, sádica e sórdida.”

Putas, maridos, esposas e vadias

Todos na mesma ostentação

Indústria pornográfica que suga a magia

Banaliza o amor

Onde se perde o valor.

Focados, admirados, calados

Espantados, vidrados

Anestesiados

Babe na frente da TV

Seu animal sexual

Máquina de prazer

O oposto da elevação

A falta de respeito

E a deploração

Ser humano enraizado no pecado

Ofereça o seu corpo

Permaneça excitado

Não reclame da injustiça social

Nem da pedofilia

Não veja a exploração.

Escravo do sexo

Maldito. Doente

Contribuinte

A terra é pior a cada dia

E a culpa é de quem

Alimenta esse sistema

Doente. Doente. Ausente.

Sua filha morta e estuprada

Não se zangue com o estuprador

Ele é você todo dia

Violenta em nome do prazer

Em nome da ereção

Guiado pelo pau

E não por coração.

Quantos?

Quantos sonhos mais sonhar?

Quantos planos realizar?

Quantas vidas viver?

Notícias de morte, assalto, assassinatos são freqüentes no dia a dia. Vem pela TV, rádio, jornal, revistas, vizinhos, amigos. A violência é assunto diário. Alguns crimes escandalizam mais, pelo grau de violência utilizado, por como foi arquitetado ou pela quantidade de vítimas. Outros são menos falados e ainda tem aqueles que se tornam imperceptíveis. Ninguém nota. Ninguém comenta.

Afinal, nascemos para morrer. Essa é a cadeia.

Absurdo de massa. Maldito aquele que pensa ter o direito de tirar a vida de alguém, interferindo no curso natural da vida. E isso, direta ou indiretamente, por que matar não é só quando se atira. Quanto meio se tem de arrancar a vida? Alguns com sangue, outros não. Uns de caso pensado, outros pela falta do pensamento.

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“Pai! Afasta de mim esse cálice!”

Aprendi o delírio dos loucos,
Os sonhos dos anjos,
O poder dos deuses…
Senti o calor do sol
A brisa do ar
A maresia do mar…
Dancei a dança da vida…
Brilhei na luz do luar…
Inspirei capacidade, expirei ousadia
Virei homem, mulher, bicho.
Entre as flores e os perfumes
Vivendo,
Tornei-me humana.