31 de MARÇO de 2014:

31 de MARÇO de 2014:
Ao tempo da chuva forte que deu nesse dia de tarde pra noite:

Hoje o tempo fechou. Trovejou.
Nuvens tomaram o céu
Cinzas e imponentes.
O céu reclamou e gritou.

Hoje o céu escureceu.
Quis chorar e chorou.
Entorpeceu-se de tristeza
Em nuvens dançantes, realeza.
Beleza da natureza
Em tempo de morte.

As gotas da chuva, chorosas
Tocaram o solo calmamente
De início
Sob a túnica de seu vento sedoso
Enquanto a memória relembrava
De seus mortos, suspirava
Em lembranças.

Hoje o 1º raio que cortou o céu
Com seu risco de luz
Estremeceu o caminhar nesta terra
Enquanto o vento tomava maiores
Proporções em força e velocidade
Como ela era? Àquela tempestade,
Que tomava o poder, soberana
Sem pedir licença
Golpeava o tempo de sol
Apagava vestígios de céu azul.

Hoje o céu chorou de vez.
Reclamou sua vingança serena
Em toques suaves e celestiais
De firmeza e abundância

Enquanto se lembrava daquele
Vendaval que devastou
Todo o Brasil
Por seu tribunal de arrogante prepotência
Para tentar disfarçar à bravura
Dos combatentes da liberdade.

Gotas fortes.
Vento forte.
Vendaval
Celestial

Chora céu. Chora terra
Chora Deus
E quem quiser

Chorar pelos filhos abandonados
Despedaçados. Desesperados
De tristeza
Desaparecidos
De incerteza
Perdidos. Pela revolução.

Hoje a montanha se encobriu
Por sua névoa
Sentiu vergonha
Pelos cursos da nação irregular
Ilegal
Onomatopéia
Sensual, quando não a conhecer,
A história
E sua realidade que encena.
Depende do ponto do poder
De onde parte este nascer.

Submerso em gotas de chuva
Lágrimas de Jah!
O tempo fechou por hoje.

E as janelas fecharam também
Para não molharem a cama
Das gotas de verdade em dor
Da blasfêmia conceitual
Que fazem de vitórias
As derrotas mais ilegais
Mais doentias e absurdas
Más, prolixas em relação.

Os raios podem riscar o céu
Com sua luz
E o trovão contestar sua presença
Em devassidão
Presente por imposição
Ele está aí a clamar.

Hoje o céu chorou de vez
A contestar essa dor
Entre gerações de agonia
Batendo quartéis entre soldados
Que realizaram por simpatia
E fidelidade não arredia
As vontades da burguesia
E sua “sincera democracia”
Para o desespero dos demais
Bruxaria de fumaça e canhão
Em nome da nação que não
Satisfaz.

Pobres estudantes mortos.
Revoltados
Estudiosos
Letrados
Professores
Atores
Médicos
Bisnetos
Doutores
Revolucionários
Mortos
Presos
Pela ditadura
Nua e crua
Conduziu.

“Por nossos mortos, nenhum minuto calado, nenhum minuto em silêncio e toda uma vida de luta.”

O sangue derramado, lavado pela
Alma do céu que chora
Derrama de saudade
À força dos soberanos guerrilheiros
Que sonhavam…

Terroristas!?
Terrorismo de Estado é que não
Pode
Todo dia essa agonia de morte.
Militares treinados para matar
Com aparato de guerra
Pra mutilar
Pra torturar
Danificar
Em nome da nação que não
Existe em unidade.
A diversidade sendo massacrada
Autorizada como esporte. Passatempo.

No alvorecer da nação a canção
que toca é dominação
Àquela que funda e fode e
Compromete o desenrolar da
Construção que inexata se esvai
Em decepção
Mas, sejamos fortes para tentar.
E Procurar saber, se informar
Por que o céu hoje chora,
E chorará por milênios
Até essa dor passar
Se é que ela vai passar.
Se é que não voltará
De onde nunca há de ter ido
Porque permaneceu aqui
Intra, dentro e subjetivamente
Nos poros de cada “cidadão”
Na visão de cada irmão
E filho perdido.

Onde estão os nossos desaparecidos?
Terrorismo de Estado não pode.
Hoje o céu chora coragem
Com medo da vingança do
Homem
Que teima em ameaçá-lo
E dar-lhe a fome
De uma natureza tão bela.

Chora céu. Chora sol.
Chora nuvem
E quem quiser

Chora pelo João, pela Maria
Pela dona Cleuza, Sebastiana,
João Francisco, pela Camila,
A Madalena, pelo Ernesto, o
Padre Alfredo, a Berenice, a
Dorotéia, a Serafina,
João Batista,

Hoje o céu chora sorrindo
Pela lembrança da violência
Peça clemência
Oh! Piedade
Faça justiça
Calamidade!

Chora céu. Chora terra!
Racha raio esse céu
Oh Violência
Peça justiça
Pra quem quiser.

O governo do povo é ele mesmo
Em unidade
De um a um
Boa vontade
Necessidade.

Por muitas mortes, morreram muitos
América Latina massacrada
Pelo combate
Com muitos mortos, sofreram todos
Uma rede de mentiras dominou
Toda cidade
Com mais mentiras
Criaram o circo
Agonizando a força dos irmãos
Em comunhão.
“Companheirada!”
Salve a nação!
Não há nação.
Não há noção.
É preciso vencer pra sonhar
Conseguir acordar
Conseguir se lembrar
Conseguir reerguer
E rever
Passo a passo
Ditadura Civil-Militar
Armada até os dentes
_ Barricadas!
Deus está contente
Com a gente
De qual lado ele está?

Chora Deus, pode chorar
Cultive a esperança
Ou faça acabar o tempo
Da terra, sementes há de brotar
Nascer do solo, brotar do chão
Da emoção
Das incertezas
Do medo.

Salve salve os estudantes em festa!
Em memória
A chuva há de chorar
Nesta noite, deste dia
31 de março
Me arrepia
Meio século, a agonia
Entre idas e vindas de um
Vai e vem sempre presente
Minuciosamente em tudo
Vestígios da exploração e
Dominação da terra e do homem
E mulheres.
Gente que ousa pensar
Criticar
Debater
Questionar
Reclamar
Não aceitar
Não corromper
Fazer lutar
Para vencer…

O que faz o céu sofrer e chorar?
Com força ela bate nas casas
Com força ela bate nos tetos
E diz: – Estou aqui
Sou soberana agora. Com o
Tempo e o vento ao meu favor
à minha disposição.
A chuva chorando me faz chorar
Repensar
Imaginar
Selecionar as informações
Sobre o golpe
Maldição!
Tantos filmes
E histórias
Sabe a hora?
Sabe depois?
Quantas memórias!
De um passado tão atual
Que dá medo
Que dá pavor
E desespero
Mas que horror!

Haja vingança!
Decepção
Nação destruída
Em desilusão
Ameaça de alta periculosidade
São os militares no poder
Enganando e encobrindo a história
Distorcendo e manipulando a realidade
Dos fatos
Inventando versões
Para uma mesma desgraça
Inventando ilusões.
Usando da força para matar
Usando do Estado para roubar
Usando do povo pra trabalhar.

De quem é a vida?
Em tempos de chuva forte a
Neblina cobre a montanha
E eu já disse:
– Envergonhada!
– Oprimida
– Achou sem graça
Tá deprimida.

Exilou-se em grande refúgio
Pediu para não ser encontrada
Se revoltou com o choro do céu
Que se mantém
Em pleno lamurio
Sentimental está
Naufragada na dor
Submersa no amor
Relembrando as mortes em vão
Nem tão vãs.
Não DOPS meu céu
Oh! Não!
Ele está a soluçar
Se sente mal
Foi torturado
Foi demais para sua visão
Essa criança!
Em seu dia de luto
Sua noite de lutA.

Haja liberdade pra suportar este
Choro do céu
Que não para de chorar.

 

 

 

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