Triste coincidência

Um menino novo. Um jovem bom
Saiu pra passear no calçadão
de Nova iguaçu
De loja em loja daquele comércio
andou
Nos bazares e lojas de marca
Americanas e C&A
Estava com dinheiro pra gastar
E gastou
Com sua namorada rodou e rodou
Comeu pizza, tomou sorvete
Foi no cine, assistir um filme bom
Morador da Baixada Fluminense.

Comprou aquele boné que queria
E um tênis da hora
E mais um bermudão
Aquela camisa na marca
E saiu no pano pra curtir
Com sua mina um baile bom.

Triste pesadelo de territorialidade
Capitalismo Selvagem
Que arrasa o irmão
No confundimento perdido
Quem vai saber da razão?

Se por hora ele passeava
De mãos dadas por alí
E sua mina prendada
Que não queria outro lugar
Se não na presença daquele lek bom
Ele estava
Sem parar, a dançar.

E ali naquelas bandas
Também estava um camarada
Prestes a dançar
no meio àquela cilada
E a roupa escolhida?
Um boné, um tênis, um bermudão
e uma camisa na marca.

Triste coincidência
Gostos parecidos
E o nosso amigo escolheu
o look da morte.

Triste coincidência
Escolhas tão iguais.

E dança ao som da batida
E sente o batidão tremer o chão
Ainda havia distinção entre os meninos.
Cordão de ouro e a mina linda
do lado de quem ela estaria?

É, caro amigo
Cuidado!
Hoje tem!

Naquela dança envolvente
Só quem sabe vem

Uma escolha casual de fim de semana
Um menino rebelde
Fugiu o sistema
Não quis trabalhar
Pra aturar o patrão massacrar
Foi vender pó
Na perifa
‘Um rendimento 100%’
Alguns não tem saída.
E foi assim
Fazer o que?
Já temia o que ia acontecer
Naquela noite
Mas, não tinha mais tempo pro medo.

Ele era seu refém
Refém da própria sorte
E da vida que escolheu.

O baile bombava
E naquela virada
Explodiu os tiros
Que vieram a matar
Nosso amigo
Vestido igual ao menino
Que estava dado pra morrer
Confundido ele foi
Fazer o quê?
Se no meio desse baile
A polícia subiu
E chegou pra matar.

Pegou o nino errado
E sua mina ia chorar sem parar
Desde então
Naquela decepção
E em choque ela ficou
Viu todo mundo correr
E seu amor ficou no chão
Caído
Sangrando pela boca e pelos ouvidos
Rasgado pelo meio o coração.

Que tristeza!
Piedade dessa gente!
Oh Clemência!
Peça a vontade!
Ninguém está aí pra escutar.

E o dito tal que viria a falecer
Esta noite
Saiu correndo
Trocou uns tiros com policiais
Ficou triste também pelo irmão
E foi reconhecê-lo
Seu boné, seu tênis e
aquela camisa na marca.
Tudo comprado nas lojas do
calçadão de Nova Iguaçu.

Veja só!
Naquele mesmo dia
Aquela mesma roupa a comprar
Mas quanta ironia
Será que poderia esconder algo subliminar?
Nas entrelinhas?
Vai entender menina
Vai entender…
É o destino. É a vida.
Tinha que acontecer!

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