Ao placar

Ao placar
Eu digo
Não posso socorrer o pescador
Não posso?
Eu digo
Mas terá que derramar o opressor.
Opressor estava sujo
Sujo de remédio
Coitada da Olívia
Foi parar no
cemitério
Cavernoso
Paradoxal
Romântica por natureza
Desregrada da
incerteza
Tediosa e óvia
Abissal e
Soberana desde criancinha
De pijama
Na rua da amargura
Andando de um
lado pro outro
Até vomitar de horror
Do pavor
E do medo
De não escrever
Mais uma palavra
Com nexo
E noção.

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Foto: Reinaldo Bernado  / Japeri

 

Tem no trem

Aos trabalhadores do
trem
Nós vemos
A luta
Diária
No trampo
Pesado
De lá e pra cá
Indo e voltar
No trem
A luta
Diária
Trabalha
Vai trabalhar
Uns vão
Outros voltam
E aqueles
Vão e voltam
Pendurado
Abre a porta
Entra e sai
Vem um bonde
Passa outro
Picolé, isopor, guaraná
Capa pra celular
Vende bala
Biscoito recheado na promoção
Tem lá.
Indo e volta
Volta e vem
Pesado
Tem criança também tem
Tem criança
Tem idoso
Tem senhora no vagão
Tem coroa pedindo esmola
Tem crente fazendo sermão
Tem pedido de ajuda para instituição.
Vem de trem
De trem vem
Sorriso banguelo
História singela
Da sua casa
Seu bairro
Sua rua
Tem também
Cada um tem uma
história pra contar
Umas mais tristes
Outras felizes
podem estar
o que será
que vem de trem
o que se vê?
o que se tem?

Tolere-me

Eu queria
passar pra
você o
que eu penso
através do meu
pensamento
Por que
com as palavras
não consigo
dizer,
nem ditas
nem escritas.
Tolere-me.

Se eu fosse você

Se eu fosse você
Ia querer me beijar
Sem demorar muito
Por que
eu tô aqui
e você tá aí
Então
poderíamos juntos
estar
aos lençóis
e os
nossos lábios
mergulhar
no prazer
mútuo.