Olha aí

Olha aí o que eu
escrevo então
veja se não é
a minha decepção
de viver…

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O que eu tenho sido?
Eu tenho sido os meus
escritos.
O que eu tenho feito?
Eu tenho feito, revisado-me.
Mas não é no revisionismo
que se faz transformação
É na revolução.
Mas revejo-me para
transformar-me
Revolucionando-me.

Qual é o meu estado
O meu estado é com as letras
As que me invadem
E as que fogem de mim.
São estas que desejo alcançar.

[Sido-Feito-Estado]

Eu preciso estar sempre com a caneta na mão direita
E o papel na mão esquerda
Os dois juntos em união
Para dizer quem eu sou.
*

E se aquele computador desliga
Dez vezes por dia
Dez vezes me irrita

E quando quero entrar na internet
E aquela bolinha fica
Girando girando
Eu me irrito ainda mais
Quando a internet cai.

Não digo
Escrevo
E me arruíno
Na prisão de palavras bandidas
Banidas
Por minha opção de calar
E trancá-las
No calabouço da minha distração.

Parei parada durante alguns minutos
Aquele papel branco e caneta azul
Exerciam tamanho contraste em minha visão
Que não os pude deixar despercebidos
Tomei-os e coloquei-os à mão.
As ideias que fluiam em minha mente
De repente fizeram consideração
E saíram em comichão
Percorria a extensão do meu corpo
E sem noção, comecei a escrever
Sem saber o quê.
Quando vi tinha uns dez cadernos em vão
Sem saber o que fazer
Eram ideias sem direção.

Foi assim que deixando fluir a escrita que eu não entendia
Parei e observei o que de verdade eu tinha
Notei então uma sintonia que se conectava ao meu viver
Eram passagens sentidas, não ditas,
Escritas pra ninguém ler.

Sendo assim, o que eu poderia fazer
Se aquelas escritas doíam meu ser
Se elas alí guardadas paradas, afrontavam-me
Resolvi esquecer.
Andei por caminhos múltiplos
E vidas a conhecer
Histórias de gentes e memórias
Que eu precisava saber.

Quando foi o momento oportuno
E fazia parte deste escrever
Não consegui redigir
E as palavras esvoaçaram do meu pensamento
Não tive forças e fugi sem fim.

Ora, ora, se foi durante a fuga que encontrei de volta
A caneta e o papel
E foi na extensão do caderno que esquivei-me
do céu de palavras sem fim que rodeavam-me.

Ainda me faltam momentos
E coisas que preciso dizer...

Não sei explicar o que é
Mas não quero deixar pra amanhã.
O que você pode saber?
O que você pode entender?

Você pode querer me julgar
E dizer, então tá, não vou ler.
Você pode fazer o que quiser
E eu vou continuar a dizer pra você
Convidar,
Venha ver, vem visitar
Leia-me. Dialogue pois.
Discorde, concorde, desfaça
Complique-me
Enrole, fume, beba as palavras
Mas sim/ só que sim
viagemparaofimdomundosemfim

Vem conhecer.