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Pondo em dúvida os porquês em
questão.
Não dá pra só afirmar e julgar
A compreensão passa distante da razão
mais adiante
E descontínua se esvai na imensidão.
Problematização da cultura não é certeza.
Nem garantia de qualquer valorização.
Se não se sabe qual é o valor
Valor de que e pra quem?
Observação da imatéria é complicação
Da magnitude da natureza do ser
em plenitude
Enraizado na burocracia bucólica/ infernal
Da dissolvição da igualdade
Fraternidade e liberdade na cadeia
Cela de prisioneiros em escala global
Entre sonhos de primaveras com as nuvens a piscar
Numa famosa doença real da beleza em grandeza
Que não envolveu por inteiro.
Nem permitiu, concedeu
A vitória (utopia) aos mais fracos
E onde os pobres não tem vez.

Nesse caso

Ver uma senhora

mãe de família

sentada no chão

numa madrugada fria

Aonde será que ela está?

Na fila,

no posto de saúde da Chacrinha.

Verso em referência ao modo de espera dos pacientes na Unidade Básica de Saude do Bairro Chacrinha (em Japeri). Em que os moradores/ cidadãos/ pacientes do Sistema Municipal precisam “(-savam)” chegar cedo para aguardar a feitura da ficha para consulta.
A importância é dada pelo fato de que os indivíduos que chegam cedo esperam do lado de fora, na calçada do posto, a abertura do portão que acontece às 7:30h, 8 horas com a chegada dos funcionários.
Não pode parecer normal sentar a bunda na calçada (principalmente estando passando mal), levar uma cadeira, um cobertor, dormir, ou ficar em pé durante duas, três, quatro horas ao relento, seja no frio, na chuva ou no calor.
E foi durante a minha agonia de ver isso e incomodar-me que fiz este verso no sentido de constatar e contestar esse absurdo e descaso com as condições básicas de “atendimento”ao ser humano, sua recepção, relação e as formas em que estão estruturadas a sua sobrevivência, nesse caso em referência ao Sistema Único de Saúde, o direito as filas…

Agora, atualizando este escrito, o Programa Saúde da Família tenta estar marcando, agendando as consultas anteriormente, mas ainda acontecem madrugadas ao relento em espera…

Mafiosos invadem nossas casas

Mafiosos invadem nossas casas

Enquanto nos vendem um sistema fudido

De merda em merda a nos manipular

Pelas coxas…

Bando de filha da puta

Pseudo burguês do cú frouxo

Que dilacera a verdade em prol de sua casa de praia

Veraneia no templo da morte ó bom pastor

E mergulha nos versos singelos do prazer que a corrupção pode trazer

Tamanha proporção da podridão!

Quem pode ver?

Ligeirinho do povo é para vender

Dura mais que 24 horas seu poder

É de todo. E de sempre.

Basta perceber.

Domina o dominado ó dominador

Explora o explorado. Vem! Seu opressor

Sopro, sopro. Suspiro. Maldito!

Quem se garante a falar pelo povo?

Se nem se sabe de que povos estão falando.

Japeri na mão dos sujeiras

Vencer a eleição é para espanta mosca

Perder é pra derrotado

O quadro é mais caótico quando se aproxima do fim

O pior é que já tá próximo faz tempo.

É tempo.

“Ventos de povo me chamam
Ventos de povo me levam
Me abrem o coração
E se espalham na garganta
Assim cantará o poeta
Enquanto a alma me soe
Pelos caminhos do povo
De agora e para sempre.”

Victor Jara

Para os que virão
Thiago de Mello

Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular – foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
– muito mais sofridamente –
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.