Selvagem

A escrita é a fala selvagem da mente.
Tentando decifrar quem se é.
Ou tentar revelar sua alma.

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Professora,
Queria que você soubesse aquilo que eu não
consigo dizer. O que eu não digo e não
consigo entender. Naufrago no campo
da minha desilusão.


“Quando comecei a abrir muitas chaves,
parênteses, colchetes nas letras, eu me
assustei. Quando quis sublinhar e
puxar setas demais, eu parei.”


Por que?
Eu precisava ser capturada. Ser invadida.
Ser sequestrada. Ser vencida.

Escrita post-morten ser vivo-morto.
Custava? Auto-flagelador

Eu não queria perturbar-lhe com
minhas palavras insanas.
Queria te mostrar esse tipo de bobagem.

ela pode não gostar daquilo que eu escrevo
e eu não quero nem saber
eu escrevo o que quiser
minha escrita é a
minha democracia.

***

mas você pode dizer
que a democracia não é minha
e então vou responder,
ela é minha e ninguém tasca
a minha democracia
o meu dom de viver
e ter poder sobre o meu querer
o meu dizer.

***

sendo que o meu viver
ainda é dominado
por megacorporações
e governos
nada democráticos.

***

democracia é palavra tola
já a vi em relação a
variedade de cabelos
e sobre misturebas de
foliões de carnaval.

democracia democracia
pra que e pra quem?

***

eu vou ficar aqui
falando de democracia
todo dia
até conseguir escrever
a minha monografia
porque não paro de sofrer.

✍இ ♡

Agora eu posso escrever o que quiser enquanto
estou aqui.
Escrita direto da mente ué. Porque escrever
pra mim é assim.
Um ato de solidão liberta.
Libertação da canção interior que ecoa pelos
poros dos meus pensamentos selvagens e doidos
para fugir do meu interior e voar.
Embelezo a realidade com belas ‘mentiras
sinceras’ que constroem e destroem o meu
ser.