As evoluções

O que tem gerado as mais
diversas situações?
Eu disse a você.
Nada daquilo que parece ser.
Tú disse pra mim:
–Não é bem assim.
Disseram a nós:
–Assim será!

Por que quando
Aquele movimento violento
Controla as ruas da cidade
Com sua perversidade
Sistêmica
A desorientar
As evoluções
De gerações
Que ousam
Deliberar
À vontade
E conhecer
Vilarejos
e vilas
e vielas
e escadas
e becos
e caminhos
Sobre qual pomto
está se falando?
Sobre as ruas
da comunidade
Que envolvem
Em desalinho
Toda trajetória
De sobrevivência.
Onde a sobremesa
Passa despercebida
Na hora do almoço
Porque não tem almoço
Tem lanche
Tem miojo.

Já percebi que
quando me sinto muito sozinha
(e perdida)
pego a caneta e
fico com ela na mão.
Já percebi que
às vezes nem escrevo
mas só de estar com
ela na mão 
sinto-me mais
segura.
Como pode ser?
Talvez isso venha ser
um tipo de neurose,
psicose,
Ou um ato de fuga
Dependência.
Pode ser…
Só sei que percebi
que às vezes estou
ansiosa e pego a caneta 
para tê-la comigo.
Às vezes preciso
dela para dormir.
Seguro-a para 
me sentir segura.
Seguro-a para  
minha segurança.
E não me sentir
sozinha.

Parei parada durante alguns minutos
Aquele papel branco e caneta azul
Exerciam tamanho contraste em minha visão
Que não os pude deixar despercebidos
Tomei-os e coloquei-os à mão.
As ideias que fluiam em minha mente
De repente fizeram consideração
E saíram em comichão
Percorria a extensão do meu corpo
E sem noção, comecei a escrever
Sem saber o quê.
Quando vi tinha uns dez cadernos em vão
Sem saber o que fazer
Eram ideias sem direção.

Foi assim que deixando fluir a escrita que eu não entendia
Parei e observei o que de verdade eu tinha
Notei então uma sintonia que se conectava ao meu viver
Eram passagens sentidas, não ditas,
Escritas pra ninguém ler.

Sendo assim, o que eu poderia fazer
Se aquelas escritas doíam meu ser
Se elas alí guardadas paradas, afrontavam-me
Resolvi esquecer.
Andei por caminhos múltiplos
E vidas a conhecer
Histórias de gentes e memórias
Que eu precisava saber.

Quando foi o momento oportuno
E fazia parte deste escrever
Não consegui redigir
E as palavras esvoaçaram do meu pensamento
Não tive forças e fugi sem fim.

Ora, ora, se foi durante a fuga que encontrei de volta
A caneta e o papel
E foi na extensão do caderno que esquivei-me
do céu de palavras sem fim que rodeavam-me.

Ainda me faltam momentos
E coisas que preciso dizer...

Não sei explicar o que é
Mas não quero deixar pra amanhã.
O que você pode saber?
O que você pode entender?

Você pode querer me julgar
E dizer, então tá, não vou ler.
Você pode fazer o que quiser
E eu vou continuar a dizer pra você
Convidar,
Venha ver, vem visitar
Leia-me. Dialogue pois.
Discorde, concorde, desfaça
Complique-me
Enrole, fume, beba as palavras
Mas sim/ só que sim
viagemparaofimdomundosemfim

Vem conhecer.