Canalização
Ah não!
Acharam bom?
Eu acho o fim
Matar o rio assim.

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Morte
Matavam de espada
Matavam de porrada
Matavam de matar
Morte
Morte da igreja
Morte dos cristãos
Morte dos pagãos
Matavam nas eras históricas
Matavam ladrões e inocentes
Impostores e traidores
Reis e majestades
Matavam os pobres
Morriam os deuses
Morte de faca entre irmãos
História de sangue
História de Morte
Matanças Gerais.
Emissários da morte.

Eu quero morrer.
O mundo taí
Mas eu quero morrer
Não consigo ver a magia
Só consigo sentir agonia.
O mundo taí
Mas eu quero morrer.

Eu não quero viver.
Não quero sofrer.
Como os covardes,
Só aceito morrer.
Morrer pra acabar essa dor.
Morrer pra extravasar esse horror.

De tão bela, a vida, todavia
Não será mais para mim.
De tão bela, a vida, sobrepõe
o meu fim.

Sereníssima, seria então eu,
Bem próximo de mim , ela está,
Cantante a esvoaçar meu pensamento
Em sua direção.
Meu tormento.
Minha decepção.
Meu lamento.
Minha lembrança.

O tempo que passa agora
longe de mim
Ciumento.
Deseja meu encanto, tão sedento.

Espere, em seus sonhos.
Estou prestes a morrer.
Não me encontre agora não.
Preciso, eu, me preparar
Para a vida eternizar.
Com a morte.
Com a dor.
A lamúria
E o horror.
Passará.
Descontente.
Passará.
Sorridente.

Entre pastas e perfumes e sereias.
A treinar
Morte em vida
Serafina.
Pequenina.
Querubim.

Onde estás? Por onde andas?
Em ti alcanças?
Vêes meu fim?

Deságua

olho
aquele rio que passava
Límpido
Se transformando em valão
ora, pois.

*

Veja:
Riachinho com peixinho
vira vala
Pra depois
Esgoto virar
E com mais
Canalização
11 bilhões de reais*
E ainda mais
Para o rio matar.
Nossa água sujar
A beleza roubar
Trocar árvore viva
Por concreto morto
Água poluída

*

* valor gritado por politiqueiro em “campanha” nas ruas da Chacrinha/ Japeri.

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*

ah
ó Rio Guandu
o que posso dizer de você
se está a abastecer
toda uma região
E ainda assim
não lhe poupam poluição
aonde está
sua mata ciliar?

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