Olho pro lado e vejo
Lixo
Andando na rua
A montanha a olhar
Vejo
Fumaça
Queimada
no ar.

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Os moradores
estão comentando
nas ruas
Sobre a obra de
uma academia
de ginástica ao
ar livre
para idosos
ao lado do
Posto de Saúde da
Chacrinha.
E dizem que:
— Quanto concreto foi
gasto ali e à toa.
Era tão verdadeiramente
bonito gramado verde.
E dizem mais.
Que o prazo de execução
da obra expirou
Passou do tempo
E
tiveram o trabalho
De substituir
Fazer colagem
Em cima da data
prevista.

Assisti durante a noite aquela ferida acontecer
Sangrando ela estava queimando
Era o fogo pegando na mata
No centro da montanha pegava/queimava
Acontecia no bairro Chacrinha, município de Japeri
Baixada Fluminense
Rio de Janeiro
Brasil

Mas sim, e aí?
Subi e não me arrependi.

Deixei aquele fogo para trás e saí.

15/05/08

Por que vós sois assim?
Tão despreocupados e curiosos em
relação aos seus semelhantes
Tão desconectados e fúteis.
Porque sois vós quem mata
e fere a nossa terra e tudo
o que há de tenro nela.
É fácil olhar, comentar,
quando gritar nos parece
impossível.
Tem hora que é preciso falar.
Expressar alguma opinião.
Ajudar. Não ficar como
estátuas. Vendo apenas as
coisas acontecerem sem ao menos
nos mexer.
Assistir de camarote uma
situação difícil, quando esta
acontece com outrem é fácil.
Todos param,
todos olhos. Poucos, pouquíssimos
tem a coragem e a dignidade
de querer enfrentar o problema e
trazê-lo para si.

*Assisti no trem um garoto passando mal, acho que foi um ataque de epilepsia, não sei ao certo.
Ele tem no máximo vinte e quatro anos. Veste tênis, bermuda, blusa e boné, carrega uma mochila também.
Muitas pessoas olham, todas olham. Quatro ou cinco o ajudam. Vêem sua aparente melhora, conversam com ele, desejam melhoras e tomam todas seus rumos. Afinal, chegaram as suas respectivas estações de descida.
Ele continua ali de boné na cabeça, agora sorri.
Melhorou. Quem bom.
E eu estava aqui. Quase
chorando com tanta insignificância.
Mas eu ajudava mais
aqui mesmo. Escrevendo.