Se eu fosse você

Se eu fosse você
Ia querer me beijar
Sem demorar muito
Por que
eu tô aqui
e você tá aí
Então
poderíamos juntos
estar
aos lençóis
e os
nossos lábios
mergulhar
no prazer
mútuo.

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Há os poetas

É preciso (re) pensar o mundo
para as crianças.
Elas não merecem
tamanha podridão.

Há os poetas do amor
os poetas da dor
os poetas da rua
Autistas noturnos
diurnos
automáticos
dogmáticos
revolucionários.

Lá vai ela

Lá vai ela
Com suas roupas, papéis e esquemas
a fazer
suas nóias
seus sabores
Os seus gostos e desgostos.
Lá vai ela
Transita e
levanta
seu acampamento
de um lado para o outro
Lá vai ela.
Monta e desmonta
Espalha e junta
Junta e espalha
Separa por áreas
Tem que unir
Precisa dividir
Precisa absorver
e manter
e cuspir.
Lá vai ela.
Com seus cadernos, suas folhas
os seus riscos, seus rabiscos
malditos/ benditos
Lá vem ela.
Chega pra ficar
E já já vai embora
Nunca vai voltar
E aparece no segundo seguinte
Diz que vai ficar
E some para sempre.
Até amanhã, afinal.
Lá vai ela.
Anda em disparada pela rua
Não dorme e não acorda
Não sonha tem pesadelos
Finge-se de viva e já morreu.
Nos escombros de seus pertences atormenta-se
Não quer mais nada. Quer tudo. Quer o mundo.
Lá vai ela.
Suas coisas a consomem.
E ela consome o mundo e some.

 

SAM_0014

Latinoamérica

“Não se pode comprar o vento
Não se pode comprar o sol
Não se pode comprar a chuva
Não se pode comprar o calor
Não se pode comprar as nuvens
Não se pode comprar as cores
Não se pode comprar minha alegria
Não se pode comprar minhas dores.”