Ontem

Ontem.
Ontem percebi que podia morrer.
Morrer de dor, morrer de amor.
Quem poderia me deter?
Quem poderia fazer reinar em mim o eu
existente supremo, além de mim?
Eu não poderia contrapor quem sou.
Nem por mim, nem por ninguém.
A minha hora é minha e de mais ninguém.
À noite minha fantasia se inspira.
Me agiliza e transforma.
Faz sentir em mim, meu verdadeiro eu.
Distante do calor da manhã.
Junto as nuvens frescas e suaves
Enquanto mergulho em meus papéis
A voltar suspirar a filosofia de
Uma nova existência a partir da ciência
E da abstração.
Solidão é o que sinto.
Não vou dormir agora.
Minha alma chora angustiada enquanto
Tenho o conforto de meu próprio vazio.
Arrepio.
Não tento espreitar a morte.
Nem quero que ela reine soberana sobre mim.
Sobre minha tristeza.
Insegurança. Arrogância. Presunção.
Pra quê?
Você não sabe ver?
Tranquilidade.

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E quando o inverno chegar
Eu vou me aquecer com você
Debaixo dos seus lençóis
Para o frio espantar.

Enroscados um no outro
Nós vamos ficar
Vamos ver anoitecer
E fazer amanhecer em amor.

E quando eu estiver
Bem perto de você
Vou ficar
E você vai sentir meu calor
………………………(meu sabor).

E nós dois juntos vamos lembrar
do tempo em que ficávamos sós
perdidos, desencontrados
nos oceanos dos lençóis vizinhos
e vamos nos amar mais.

E seremos assim
Até o inverno passar
Juntinhos
Eu no seu quarto
E você em mim.