Ao placar

Ao placar
Eu digo
Não posso socorrer o pescador
Não posso?
Eu digo
Mas terá que derramar o opressor.
Opressor estava sujo
Sujo de remédio
Coitada da Olívia
Foi parar no
cemitério
Cavernoso
Paradoxal
Romântica por natureza
Desregrada da
incerteza
Tediosa e óvia
Abissal e
Soberana desde criancinha
De pijama
Na rua da amargura
Andando de um
lado pro outro
Até vomitar de horror
Do pavor
E do medo
De não escrever
Mais uma palavra
Com nexo
E noção.

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Foto: Reinaldo Bernado  / Japeri

 

Dói meu coração

Dói meu coração
Quando saio de trem
e vejo
Aquela senhora
Carregando
Aquele isopor pesadíssimo
Com bebidaS
para vender
Sua coluna chega estar
encurvada
Mas é o que ela faz pra
sobreviver
e eu a olhar acho estranho
o tamanho da contradição
desumana
na luta diária pelo
pão de cada dia
onde uns
lutam demais
e outros
lutam de menos.
E outros
tem tudo na mão
beijada
que papai e mamãe deu.
É justo
viver assim?
Onde uns
“precisam” se humilhar
onde outros
o humilharão
porque aprendem
ser melhores
do que são?
Essa não!
Eu não vou compreender
Que isso seja o caminho
Que isto tem que ser assim!