Ladainha

Você vem
defender aquele menor marginal
Não vê
Que se tornou um “homem” mal
Perdido
Desesperado
Desencontrado
Na sociedade do capital
Ó mãe
O que fazer?
Seus filhos irão morrer
E morrem no hospital
E morrem
Aos tiros do policial
E policiais também morrem
Por que não?
Quem mata, morre também
É a lei do cão.

Ó mãe
Você vem querer prender o menor marginal
E dizer
Que ele já matou seu filho também menor
Dizer que ele também matou um pai de família
…………………………………………trabalhador
Qual é a estatística para meninos assassinos
………………………………………..contraventor
Mas as crianças estão jogadas nas ruas
marginalizadas
sem escola de qualidade
sem qualidade de vida
sem comida
sem água
sem mãe e sem pai
sem roupa e
sem vó.

Não são todos ó mãe
Não são todos.
Quem pagará pela vida dos nossos filhos ó mãe
Se gestores públicos que roubam milhões e milhões
em dinheiro da
merenda das crianças
e das escolas
e dos hospitais públicos
estão soltos
fazendo propaganda escrita e
na televisão
pagando milhões para jornalistas comprados
pelo sistema opressor
ó mãe
ó mãe
dos filhos dessa terra mãe gentil
porra nehuma
gentil é a puta que pariu
filhos da prostituta maldita
Será o quê?
Por que mãe?
Por que mãe?
Filhos da desigualdade social
vão morrer
vão matar

Prenda
Prenda todos os condenados
E não condenem os reféns.

Prenda
Prenda os políticos corruptos
Os empresários em conchavo
E pras crianças educação

Educação de qualidade
E saúde. E merenda.
E não ao trabalho explorador
E terra
E solo
Para que vivam com amor.

Dúvido, que se essa sociedade fosse totalmente diferemte
Se existiria crianças ladronas
Mas, por que será que uma criança de 12,
13, 14, 15, 16 anos
quer roubar seu celular?

Mas peraí
Nada disso vale a pena
Se você for pensar bem.
Nada disso importaria
Se tivéssemos terra pra plantar
Solo pra cuidar
Pra nos alimentar
Sem nos explorar.

Sistema maldito
Sistema fudido
E dilacerado
Corrupto
Envenenado
Está a nos sugar
Entenda.

Os pretos e pobres e favelados
Estão a morrer
E fazemos pouco, muito pouco
quase nada
Para isso reverter.

Ó mãe
Por que mãe
Salve seus filhos ó mãe.
Salve seus filhos ó mãe
Salve seus filhos.
Salve seus filhos.

Entenda
Somos todos jovens a matar
E jovens a morrer
E filhos a narcer.

Salve-nos.
ó mãe.

Ladainha em dó <

Dizei-me
Dizei-me
Por favor.

Fala-me
Diga-me
grite
com fervor

E agora meu Deus
E agora Javé
E agora Jeová

Mãe terra
Mãe Terra
Venha abençoar

O amor se perdeu
O amor que restou
onde está?
onde está?

Saberíamos bem
Saberíamos ouvir
Aprendemos a cuidar
Aprendemos a matar

E agora José,
E agora João
Maria, onde está?

E agora Tereza?
E agora?

Perdeu-se a paz por aqui
Perdida não soube voltar

E agora
Crianças Perdidas
Sem proteção

Mais massacradas
Mais iludidas
Perdidas
Sem proteção.

Querem prender as crianças
Querem prender a esperança
E pra isso detém o poder

O poder de viver
O poder de curar
A vida desejam matar

E agora irmão?
E agora irmã?
O que podemos fazer?

Se não somos irmãos
Perdidos
Seremos o quê?

São as crianças desta
nação sem noção
que pagam o preço do pão
E o mensalão corre solto
E o helicóptero voa e
transborda ambição.

E as crianças são presas
Perdidas, sem sobremesa
Mãe e pai não tem não

Não vá dizer que é fácil
Não vá dizer que é justiça
A justiça nasce da contradição

E agora?
E agora?
Diz agora?

Enquanto a escola doente
Professor não ensina
Família delinquente

E agora
Vem dizer que a justiça
Pode prender o menor

O menor já está preso
Encarcerado na vida
Sem justiça,
Sem família,
Sem amor

O Estado que mata
Que rouba e condena
Não há justiça, só há dor

Históricamente
Se vê a desgraça
De um país condenado
À dura repartição
Dos bens à deriva

Na visão distorcida
Ricos + ricos ainda

E pro pobre o que resta?
Uma saúde excludente
Educação pra aturar o patrão.

E agora?
E agora?
E agora?

Um sistema prisional
………….maltratado
Crianças refém do Estado.

O Estado que mata
e condena o menor

E agora José?
E agora João?
Maria inteceda por nós

Para o menor não
……….morrer
Na cela da opressão
Se vingue e nos dê
…………..sua mão.

Não venha dizer que o
menor já matou
O menor já morreu também.
O menor já sangrou também

Não venha dizer que
Tem opinião formada
E que obtém a razão
A razão é de quem?
Opinião se/te forma e deforma.

O menor já morreu
Quem foi que o matou?
Em vida
Sociedade mesquinha
Danifica o menor e o maior.

Shiva
Krishna
Buda
Alá
Jesus

Maria
Maria Madalena

Aos mortos e vivos dessa terra
Por todas as nações perdidas
Desesperadas, maltratadas
Dizimadas
Nações indígenas, africanas
tupi-guarani
aos incas, os maias e os astecas

Oh mãe
Xangô
Yemanjá
Oxalá
Oxum
Yorubá

Salve Salve
Os filhos dessa terra
Absolva-os da lei dos homens maus

Proteja as crianças
Proteja a esperança

“Jesus protege as criancinhas”

As criancinhas estão perdidas
E estrupadas
Envenenadas
pela nação sem noção

Não vão dizer que são homens formados
Porque estão nas ruas descalço
Matando, roubando, furtando

Que foi que permitiu?
Quem foi que encobriu?

E agora tacar meninos na cela
Para aprenderem como é a dor
Mas a dor que já sentem
Já é horror…

E agora?
E agora?
E agora?

E agora?
E agora?
E agora?

Enquanto isso tem senador
deputado
vereador
governador
prefeito

que agradece os militares
pelo golve civil militar
no Brasil

Salvaram o “país” do comunismo.

Comunismo!?
O que é?

Não mais crianças largadas na rua à deriva
Nada de fome e miséria.

(…) (continua…)

Essa ideia
de como é
A sociedade de classes
E como ela nos forma
E deforma.
Economia capitalista
Como ela
nos transforma
e disforma.
*
Ah! Ser ser!
Como tu és tu
Ah! Seu ser!
Como não ser tu!
Ah! Não ser!
Como ser você?

Agora, ver um garoto
De 12/ 13/ 14 anos
Com um isopor super pesado
Vendendo cerveja, água e refrigerante no trem
É de doer
A vida em questão
Mas que situação
É viver em desunião
A nação não nos condiz
Desunidos, somos irmãos
A nos matar.

________________________________________________

Mas os
dominadores
não.
Esses não são
nossos irmãos.

________________________________________________

Estão a nos massacrar
Descendentes da escravidão
Só escravos somos nós.
Sós.
A perecer.